quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Debate sobre o ENADE 28/10 às 17h

Participem e divulguem:

Debate sobre o ENADE

Dia: 28/10 (terça-feira) às 17h

Convidados:
Prof. Roberto Leher (FE/UFRJ e AdUFRJ)
Profª Vera Salim (COPPE/UFRJ e Movimento Universidade Crítica)
Prof. Estevão Lopes (FIOCRUZ e Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa)

Local: Faculdade de Educação (sala 207)
Av. Pasteur, 250 - fundos Urca - Praia Vermelha

Essa será uma discussão com o intuito de informar aos estudantes (selecionados ou não para fazer a prova, bem como aos demais interessados) sobre esse tipo de avaliação; abrindo um espaço livre para um debate sério e esclarecedor.

Lembrete: a prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) será no dia 09/11 às 13h (domingo).


Contatos: Centro Acadêmico de Pedagogia Prof. Paulo Freire
Gestão Coletiva "Além do que se vê"
capedufrj@yahoogrup os.com.br
G.T. de Movimento Estudantil > Danielle: 8647-8580

Esperamos a sua presença!

08/10/2008: Panfleata contra o Plano Diretor de Aloisio Teixeira e o REUNI de Lula







No dia 08/10, os estudantes da EEFD fizeram uma panfleata pela Escola, para explicar para os demais estudantes sobre o Plano Diretor nos marcos do REUNI.






Esclarecendo o termo, Panfleata nada mais é que uma passeata com panfletagem. Foram utilizados um surdo (nova aquisição do C.A.), panelas e um megafone, para que todos os estudantes presentes ficassem esclarecidos sobre o ocorrido. O Conselho Universitário aprovou as diretrizes do Plano Diretor, por conta de golpes aplicados ao Movimento Estudantil, porém agora, a luta contra o REUNI continua, mas dessa vez nas Unidades, pois todas as Congregações deverão aprovar a implementação do REUNI, que se materializa através do Plano Diretor. Na Escola de Educação Física teremos ampliação, com um novo curso de dança.






A Reitoria promete obras e contratação de professores. Porém, as obras feitas e os professores contratados suprem nossas necessidades atuais, ou seja, com a entrada de mais estudantes, mesmo com contratação e ampliação do prédio, ficaremos mais defasados do qua atualmente. Além do mais, o projeto apresentado para a ampliação do prédio constrói salas de aula para cem estudantes - quanto a isso devemos nos perguntar: qual a qualidade de uma aula dada a cem estudantes?






Nosso prédio é construído em cima de um aterro sobre um mangue. Logo, se forem construídos mais andares, o prédio apresenta riscos de afundar. Temos problemas atuais sufcientes:






1- Um vazamento na piscina que custa, por mês, à EEFD, 25 mil reias, e o terreno onde ficam as piscinas afunda devido ao vazamento.






2- O telhado da Escola está todo quebrado, o que causa vazamento nas salas de aula e infiltração, isso fez com que a lâmpada do Centro Acadêmico pegasse fogo, semana passada, que em 2006 um ventilador da sala de Dança também pegasse fogo, e que baldes sejam espalhados no meio das salas de aula.






3- Os vazamentos estragam os materiais da Escola utilizados pelos estudantes e pelos professores, assim como os arquivos do Centro Acadêmico;






4- Não temos armários para guardarmos nossas coisas, nem bebedouros suficientes, e os banheiros da Dança abrem e fecham devido aos vazamentos.






5- A pista de atletismo não pode ser utilizada à noite, pois não tem segurança, e os estudantes e professores correm o risco de serem assaltados no local, já que a pista situa-se na parte externa, atrás da Escola.






6- Algumas aulas do curso de Dança são feitas no corredor, por falta de sala de aula.






7- A sala de musculação encontra-se desativada por falta de estrutura e recursos financeiros.






8- Os estudantes da EEFD não possuem sala de estudo;






9- Possuíamos uma sala de vídeo, que foi desativada para virar uma sala de aula. Atualmente, nessa antiga sala de vídeo possui uma tv e um dvd, e possuimos outra tv e outro dvd que são empurrados pela Escola quando professores e estudantes querem passar algum filme; a outra sala encontra-se ocupada com aula.






Ano passado, a Congregação da EEFD se colocou oficialmente contra o REUNI. Se somos contra o REUNI, somos contra sua materialização, ou seja, a implementação do Plano Diretor. Precisamos exigir que a Direção não passe por cima da deliberação da Congregação. Chamamos tod@s @s estudantes para a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Construção de chapa para as eleições do CAEFD-UFRJ

Importantíssima entidade no cenário das lutas da UFRJ, do Movimento Estudantil de Educação Física e de Artes e do novo Movimento Estudantil, o Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ abre o processo eleitoral para a gestão 2009. As inscrições das chapas concorrentes ao pleito poderão ocorrer no dia 17 de outubro.

Em 2002, os estudantes da EEFD não possuíam representação estudantil. Nesse ano, o CAEFD foi rearticulado e 2009 será a sétima gestão consecutiva, com grandes atuações em defesa da Educação Pública, gratuita e de qualidade. Há três gestões o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa atua significativamente, inclusive dando o nome às chapas que venceram.
Com o objetivo de manter um excelente trabalho na EEFD, convocamos os estudantes de Educação Física e Dança e contamos com o apoio dos estudantes dos demais cursos para as reuniões do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa que discutirão a formação da chapa:

Dia 09/10/2008, em dois horários: 11:30 e 17:00, no Varandão da EEFD!

sábado, 4 de outubro de 2008

Número Errado*

Domingo. Manhã cinza. A porta do estábulo aberta. O pátio da prisão era a cidade triste. Dos Leblons aos Bonsucessos, por todo país, vestidos de vergonha e medo votamos. O que poderia ser a festa, o que deveria ser a festa da escolha, era a agonia do mesmo. A dificuldade entre as nuanças de cinza tornava o processo demorado. Digitando 16 números consecutivos, corretos, escolheríamos os códigos dos pixels que coloririam os próximos anos cinzas. E os cinzas escolhidos ririam, ririam, mas nós, apenas cobríamos, responsável e obedientemente, o caminho, do estábulo ao pátio de digitação, ida e volta.

Se votássemos certo, apareceria uma fotografia. Colorida? Era uma pequena alegria, uma recompensa, em meio ao cinza entristecido da tarefa determinada. Uma coisa era certa: negar os cinzas era escolher um número errado. Errar os cinzas e tentar alguma cor era inadmissível. A pessoa era imediatamente admoestada pelas máquinas controladoras do desejo e por pessoas que, desavisadas ou não, poderiam por casualidade ou destino se encontrar por perto.

Se insistíssemos e confirmássemos o erro, enormes orelhas cresceriam imediatamente na lateral de nossas faces, dando início às verdadeiras transformações. Com elas, íamos sumindo, desaparecendo até nos tornarmos uma nuvem de erros que se perderia em meio à poluição... nos incorporaríamos ao cinza e, depois de algum tempo, ninguém, nem mesmo os pobres digitadores de equívocos invisíveis, a que nos tínhamos transformado, perceberiam os erros. As cores do mundo nos eram negadas, mas podíamos ver, quando acertássemos os números, por um relance, as fotografias dos risonhos candidatos.

Número errado! Repetia a máquina de escolhas. Vote certo! Digite um número correto. Você pode fazer a sua escolha, gritava a máquina, eloqüente, de destinos. Seja um cidadão, escolha um número certo, vote cinza e volte ao estábulo de onde, agora na segurança da égide do estado, poderemos todos, sim, poderemos todos, por mais alguns anos, apreciar o trabalho dos sorridentes acinzentadores da realidade.

Número errado! Do azul ao Vermelho sonho. Amarelos, verdes de marrons, violetas, laranjas pêssegos e abóboras fúcsias. Número errado nas cores de rosas jambos e abacates celestes.

A todas as cores, não. Números errados, impossibilitados pela prática democrática dos próximos destinos. Como nuvens hidrófobas éramos as cinzas cinzas e já nos acostumávamos a essa condição de invisibilidade. Figura e fundo. Fundo e fundo. Éramos cinzas.

Agora, quando hoje já não demora amanhã, a impressão que fica é que havia, entre os cinzas, alguns ainda mais cinzas, mais invisivelmente cinzas, os sorridentes, e que os resultados foram ainda piores do que se esperava. Mas é só impressão. Impressão desesperada. Esperávamos o que? Se todo número que em pixels transformado não for apenas qualquer nuança de cinza é um numero errado.
*Professor Ricardo Kubrusly
Texto publicado no Jornal da AdUFRJ após as eleições de 2006, durante a gestão em que o autor pertencia à Diretoria da entidade.

Os Nomes do Mesmo*

Em um mundo determinista, onde causas e efeitos se comportam clássica e tradicionalmente, com cada causa determinando seus respectivos efeitos e com todo e qualquer acontecimento tendo sido gerado por uma ou algumas causas, não sobra muito lugar para livre arbítrio e liberdade e liberdades passam a ocupar apenas um lugar ficcional no mundo inexistente do que poderia ter sido. Em um mundo determinista e complexo, onde o bater de asas de uma borboleta pode gerar, e portanto ser a causa de, estranhos acontecimentos, tudo o que parece fruto de alguma liberdade de escolha e/ou decisão já está, e sempre esteve, milimétrica e atomicamente pré-definido e certamente teve sua origem em algum primeiro motor ou big-bang ou mesmo, no sopro de um certo deus desengonçado e flaneur que no dia D, na hora H no minuto M e no segundo S teria dito: Danem-se todos, e fez-se o verbo e os substantivos e já não tínhamos escolha do que agora somos.

Claro que as ciências modernas com seus quanta e suas verdades essencialmente numéricas, podem rever essa idéia clássica e propor um cenário alucinadamente estocástico ou mesmo sensatamente possibilitante, com evoluções clássicas globais e localmente estatístico, onde variações do determinismo podem ser apreciadas e onde substituímos as engrenagens de Newton pelos dados viciados dos cientistas modernos... E tendo de escolher entre engrenagens e dados, ficaríamos mesmo com a literatura. Neste caso, ou melhor, nesse tipo de descrição de tudo, também não possuímos o famigerado livre arbítrio e nos vemos mais uma vez, escravos dos acontecimentos. Nada a fazer, senão surfar as ondas que nos mandam os ventos.

Nesses tempos modernos, o conceito de liberdade torna-se um jogo de ilusões onde se supõe que por entre uma gama de escolhas possíveis agiremos determinando futuros por meio de nossas atitudes, quando na verdade, inventamos diversos nomes para o mesmo, que será sempre o inexorável de nossas vicissitudes. Copo ou canudo, débito ou crédito, fumantes ou não fumantes, diet ou light, açúcar ou adoçante, o fantoche da direita ou o da esquerda, que escolhas são essas? Republicanos ou democratas, árabes ou judeus, Lula, Alquimim ou Heloisa, que opções de fato temos quando os nomes mudam e as mesmas substâncias continuam?

Ligo o rádio e nos reclames eleitorais a novidade é a velha e batida escolha do menos ruim. Merda por merda vote em mim. Nas telas o mesmo, nas ruas igual: Governo e oposição unidos pela preservação da democracia. O nome apenas, a marca da fantasia, a crença moderna. É da ilusão de liberdade que se alimenta a corrupção democrática. Mas é preciso votar, pense e vote, clamam pelos 7 cantos.

A democracia depende da escolha, entre os vários tipos de mesmos, que fizermos. Não anule seu voto, dizem, e lembram que de nada adiantará, pois os vencedores vencidos tomarão posse a qualquer custo e derrotarão, mais uma vez, e mais uma vez em nome da democracia, o povo. Não adiantará nada, é melhor cooperar, dizem hoje, como diziam durante o regime militar. Democracia, apenas um nome que deram ao continuísmo golpista que governa nossos países latino-americanos há décadas.

A democracia que mata crianças, aqui e no Líbano, que destrói continuamente o Iraque e aniquila os países da África, que secou suas mulheres com o leite em pó, em pó e democrático, posto que tudo o que é imposto pelas democracias que dominam desumanamente o mundo, torna-se necessariamente democrático, a democracia imposta pelo capital e que mata crianças repito, é essa a coisa escrotomorfa que devemos defender com os nossos votos. Vote em qualquer um dizem, do Chupacabra ao Belzebu, e afinal, ponderam, há bons candidatos e se e quando o povo souber escolher, continua e reformisticamente atingiremos o patamar civilizado onde as grandes potências se esbaldam e junto com elas, sambando, ainda teremos tempo de assistir aos escombros de nossas desesperanças.

Mas, não haveria um perdão para o tempo? Um modelo de mundo onde as verdades chamar-se-iam possibilidades e as vontades do um e do múltiplo comandassem os acontecimentos. Um modelo sem Deus mas com mistério, onde os determinismos determinassem apenas os determináveis e que, no jogo da vida o grito da sociedade construísse o livre arbítrio do povo e onde, os mortos que me perdoem, uma sociedade justa e socialista pudesse enfim ser demonstrada pela ação popular e não pela co-ação democrática que hoje nos domina.

Não haverá, em algum tempo perdoado, um universo paralelo, um outro ou o mesmo, onde a justiça social impere pelo exercício das liberdades, e não seria aqui, em um amanhã possível, e não teríamos começado por notar a farsa de uma democracia imposta pelas armas e pelo capital, e não teríamos começado aqui e agora, alardeando pelo planeta que aqui queremos liberdade com socialismo e votamos nulo porque não mais queremos os mesmos. E quanto mais, os mesmos disserem que não adianta, mais adiantará.
*Professor Ricardo Kubrusly (IM-UFRJ)
Texto publicado no Jornal da AdUFRJ às vésperas das eleições 2006