quinta-feira, 9 de julho de 2009

Boletim 21/2009

MOVIMENTO QUEM VEM COM
TUDO NÃO CANSA
Rio de Janeiro, 09 de julho de 2009. Boletim 21.


Entre na nossa comunidade do orkut:
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Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa apresenta tese no Congresso Nacional de Estudantes e apresenta as perspectivas para a juventude brasileira:
http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/participacao-no-congresso-nacional-de.html

Reunião e ARRAIÁ para interação da militância e arrecadação de fundos:
http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/reuniao-e-arraia-quem-vem-com-tudo-nao.html

UERJ


Chapa 4 Quem Vem Com Tudo Não Cansa para o CA de Educação Física: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/chapa-4-quem-vem-com-tudo-nao-cansa.html

UFRJ

SEM VERBAS, VAGAS DA DANÇA SÃO CORTADAS: http://ufrjcaefd.blogspot.com/2009/06/danca-corta-vagas-e-abre-o-curso-de.html

CONSUNI continua aprovando novos cursos por conta do REUNI. Nanotecnologia é a “bola da vez”: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/pressa-prossegue-curso-de.html

Programação MOSTRA MAIS 2009, dos estudantes do curso de Direção Teatral: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/mostra-mais-2009-programacao.html

Reprovação em massa no Instituto de Física. UFRJ tenta abafar: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/protesto-as-manobras-quanto-reprovacao.html

Edital do Concurso de Acesso aos Cursos de Graduação (2010): http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/divulgado-o-edital-do-concurso-de.html

UFF

Diretório Acadêmico Abel de Oliveira informa sobre o Encontro Nacional dos Estudantes de Farmácia (2009): http://daaofarmaciauff.blogspot.com/2009/06/informe-diretorio-academico-abel-de.html

ENCONTROS ESTUDANTIS

Encontro Nacional dos Estudantes de Educação Física, na USP: http://eneefusp.wordpress.com/

Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia, na UFPE:http://29enepe.blogspot.com/

Encontro Nacional dos Estudantes de Farmácia, na Unicamp: http://enefar.wordpress.com/enef/

Ocupação Guerreiros do 234: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/ato-de-solidariedade-ocupacao.html

MÍDIA

Vivian Dutra comenta sobre o Congresso da UNE no Fórum Estudantil da Folha Dirigida: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/06/forum-estudantil-discute-sobre-o.html

TEXTOS

In memorian de Luana da Silva Macedo, Rayanne da Silva Souza, Esther Reis Fernandes da Rocha, André Lucas Couto Telles e Vinícius Lopes da Silva: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/de-trajetos-escolares-tabuadas.html

Educação: gestão ou questão social?
http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/educacao-gestao-social-ou-questao.html

OPORTUNIDADES

Concurso Público para a UFRJ: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/07/concurso-publico-para-ufrj.html

Edital para o Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ (Mestrado e Doutorado): http://www.educacao.ufrj.br

Concurso Público para a UFRJ

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - 2009

Concurso para cargos de nível intermediário e superior


http://www.nce.ufrj.br/concursos/ufrj2009/default.asp?202

terça-feira, 7 de julho de 2009

Educação: gestão social ou questão social?*

*Vânia C.Motta[1]
Bruno Gawryszewski[2]
Duas certezas vêm sendo insistentemente postas nos últimos anos: 1) o problema da educação pública brasileira é uma questão de gestão e 2) sendo uma questão de gestão, o terceiro setor é a esfera mais eficaz para gerenciar, não só o sistema educacional, mas todos os “serviços” sociais.

Com essa crença, porém materializada pela reforma gerencial do Estado pelo então Ministro Bresser-Pereira, vimos crescer significativamente ao longo dos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva o número de Fundações e Institutos de caráter privado, Organizações não-governamentais (Ongs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Sociais (OS). São organizações do “terceiro setor” que passaram a tomar para si as responsabilidades das ações sociais do Estado, disputando subsídios do governo e financiamentos de organismos internacionais.

De dever do Estado e de direito do cidadão, a educação e a saúde passam a se constituir em serviços ou mercadorias ou caridades público-privada conforme o tipo de “ação social” e interesses de determinados setores.

Não temos dúvida de que tais crenças estão ancoradas na doutrina neoliberal: Estado mínimo, redução dos gastos sociais e das receitas estatais, acobertadas pela ideologia da ineficiência do Estado. E de que com todas as “estratégias eficazes” da boa governança difundidas pelos organismos internacionais ligados ao mercado, as medidas impostas pelo FMI aprofundaram as mazelas sociais nos países do tipo capitalismo dependente e subordinado, como o nosso. O “terceiro setor” cumpre o papel de assegurar a paz nesse contexto político e econômico que se alimenta da miséria, da precarização do trabalho e da “exclusão” de uma grande massa de trabalhadores da sociabilidade do capitalismo.

Foram e são muitas as implicações que se processaram nesses últimos anos e que não dizem respeito somente à “acumulação de miséria, de trabalho atormentante, de escravatura, ignorância, brutalização e degradação moral” como nos alertou Marx n’O Capital, mas à própria sobrevivência da humanidade tendo em vista a degradação ambiental gerada pela ganância do lucro, além do desencadeamento do processo de despolitização da sociedade civil.

Com tudo isso e mais com a atual crise econômica mundial, alguns intelectuais até apontam que o neoliberalismo estaria chegando ao seu fim. Será?

Para Leda Paulani, ao contrário de estar chegando ao seu fim, o neoliberalismo pode se fortalecer com esta crise. Em momentos de crise, segundo a economista, as retóricas de redução dos gastos do Estado – obviamente nas áreas sociais – e da necessidade de um gerenciamento da crise são retomadas mais fortemente. E as possíveis concessões aos trabalhadores ficam nos últimos planos, pois passa a ser prioridade, nesses momentos difíceis, assegurar o emprego a qualquer custo.

A vivacidade da doutrina neoliberal pode ser constatada no último 5 de maio, quando foi aprovado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro o projeto de lei nº 2/2009 que possibilita firmar contratos de gestão pactuados entre o governo municipal e OS’s - entidades jurídicas de direito privado, de interesse social e utilidade pública, criadas com a finalidade de absorverem atividades públicas nas áreas de educação, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, meio ambiente, cultura, saúde e esporte (Lei nº 9637/1998) definidos como “serviços não exclusivos do Estado” pela reforma administrativa gerencial pública.

Cabe, aqui, um esclarecimento: diferentemente das Ong’s e das OSCIP’s, as OS’s são entidades privadas, criadas por iniciativa do poder público, exemplificando o fenômeno de privatização do direito público. A entidade nasce com o contrato de gestão, nasce para e por ele. As Ong’s e OSCIP’s são entidades privadas criadas na sociedade civil, nesse sentido que a Lei nº 9.790/99 instituiu o termo parceria para este modelo de gestão público-privado. Trata-se de um modelo posto na reforma do Estado neoliberal-gerencial, legitimado com a falácia de ganhar maior agilidade fugindo da própria burocracia, principalmente, dos princípios da licitação pública.

O projeto de lei nº 2/2009, ainda que restrinja a atuação das OS’s no âmbito da Educação, mais especificamente, na administração municipal das creches e em programas de reforço escolar, trata-se de uma tendência que não só será alargada aos demais níveis escolares como também às demais esferas dos campos social e cultural e da administração pública estadual e federal.

Segundo a secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, em artigo publicado no Jornal do Brasil, “A sociedade e a educação”, um dia antes da aprovação do projeto de Lei 2/2009: “O Estado tem um importante papel a desempenhar nas políticas sociais. Mas não pode e nem precisa ter o monopólio do esforço para melhorar a sociedade”.

No âmbito estadual, o governador Sérgio Cabral encaminhou o projeto de lei 1975/2009 que propõe a criação de OS’s para gerir os 25 espaços públicos de cultura, incluindo o Theatro Municipal, que está sendo reformado em virtude do seu centenário de fundação. Para convencer a opinião pública sobre a inexorabilidade do PL, o governo estadual recrutou um exército de apologistas como Arnaldo Jabor e Nelson Motta que se remontam a alguns casos de “sucesso”, como a Orquestra Sinfônica de São Paulo, ao mesmo tempo em que se “esquece” de casos de transferências malfadadas para fundações privadas como a Fundação Bienal e o Museu de Arte de São Paulo. Em iniciativa semelhante, na esfera federal, tramita há dois anos o PL 92/2007 de autoria do governo Lula, que autoriza a instituição de fundações públicas de direito privado para o desempenho de atividades do Estado nas áreas de cultura, saúde, assistência social, desporto, meio ambiente, ciência e tecnologia, turismo e previdência complementar.

Como sempre, quem paga a conta é a classe trabalhadora. Grandes empresas, através de seus braços sociais [fundações, institutos] subsidiadas pelo Estado, reduzem seus impostos, mediante incentivos fiscais, na troca de míseras e hipócritas ações sociais focalizadas e localizadas em comunidade de risco ou que podem colocar em risco seus negócios; criam-se organizações sociais geridas por representantes da sociedade civil, mas quem serão?; recrutam e treinam indivíduos generosos para, voluntariamente, ocupar espaços desocupados pela falta de concurso e investimentos e ou precariamente ocupados por profissionais mal pagos. Enfim, substituem-se políticas de Estado por pequenas políticas de corredores e de barganha do poder eleitoreiro e ou de interesses privados e imediatos.

Por conta da crise econômica mundial, poderemos nos deparar com a insólita situação de nossas redes públicas de ensino básico e universitário se metamorfosearem em OS's. E ainda, com o apoio de organizações na sociedade civil, tais como Movimento Todos pela Educação, que são mantidos por grandes empresas e revestidos numa roupagem apolítica, solidária e dialógica. Aí sim enterraremos de vez os poucos avanços da Constituição Federal de 1988, que no Artigo 205, afirma a educação como “direito de todos e dever do Estado e da família”, especifica o princípio de gratuidade no Artigo 206, assegurando-o em todos os níveis na rede pública, e reafirma, no Artigo 208, o dever do Estado na garantia da educação.

Estamos vivendo o aprofundamento e o alargamento da privatização dos serviços públicos, bem nos moldes neoliberais. A privatização de serviços públicos educacionais não só solapa nossos direitos como também precariza o trabalho dos profissionais da educação contratados com salários aviltantes e desrespeitando as poucas garantias trabalhistas que nos restam.


Este é o modelo de gestão social ou educacional eficaz: prestar serviços de baixo custo e de baixa qualidade, fugindo da lei de licitação pública. Afinal, se esta nova gestão “fracassar”, como aconteceu e está acontecendo com várias Ongs que prestaram ou ainda prestam serviços de creche em comunidades carentes e que se encontram sem dinheiro para pagar seus profissionais e arcar com seus custos pela falta de continuidade no patrocínio financeiro, os experts em gestão surgirão com novas estratégias e os “políticos” de plantão estarão postos para assegurar gordas gorjetas da verba pública.

É urgente pensarmos num projeto de sociedade; é urgente tomarmos a educação, a saúde, a cultura, o direito a uma vida digna como uma questão social e não como uma gestão social.
[1] Doutora em Serviço Social (UFRJ). Mestre em Educação (UFF). Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da UERJ e Pesquisadora da FAPERJ.
[2] Mestre em Educação (UFRJ). Doutorando em Educação (UFRJ).

A pressa prossegue. Curso de Nanotecnologia é aprovado no CEG

Na última sessão do Conselho de Ensino de Graduação (CEG), foi aprovado o curso de Nanotecnologia. A bancada discente apresentou o parecer abaixo, do qual fui relator, argumentando as razões pedagógicas, estruturais, epistemológicas e regimentais pelas quais o curso deveria ser reformulado. A aprovação se deu nos termos do divisionismo e da mentira, o argumento era que "a esta altura do campeonato, após 3 anos nada poderia ser revisto", que refuto, pois todas as conquistas concretas só foram possíveis com a união dos estudantes, professores e funcionários contra os ataques à Educação pelo Governo (seja ARENA, PMDB, PRN, PSDB ou PT) e a mentira de que foram 3 anos, o curso começou a ser elaborado após a imposição do REUNI goela abaixo que fará 2 anos em Outubro. A maioria dos conselheiros não sabia nem de longe o que é a Nanotecnologia. A Polícia Política quer transformar a Universidade em Palanque Eleitoral (no qual a Universidade se tornou um Campeonato) já que o Lula agora é candidato a Santo, pois se espalha pelos corredores da UFRJ que houve um Milagre, que o REUNI mudou da Água pro Vinho; ser cético é mais científico.


Daniel Bicalho Hoefle (Jesus)

PARECER


Este parecer visa apontar as incongruências e debilidades acerca da proposta do curso de Nanotecnologia. Primeiramente, é frisado que este parecer objetiva não fechar a porta para esta promissora área da ciência aos estudantes da graduação, mas sim ponderar o papel da nossa Universidade. Louvam-se os esforços concretizados até agora nos Laboratórios de Pesquisa, nas Pós-Graduações e nas atividades de Extensão no referido tema de Nanotecnologia e Nanociência. E ao que se cabe, é necessário definir a melhor abordagem para tratá-la na graduação. Devido às complicações e à falta familiaridade dos companheiros do CEG, se visa elucidar e contra argumentar algumas práticas que levam determinados sofismas a serem exaustivamente repetidos como verdades incontestáveis.

Mas como? Se estão todos cheios de boas intenções? Se este processo chegou a este Conselho por satisfazer os trâmites burocráticos, ou não? A leitura do processo revela que o percurso foi muitas vezes afobado, no qual se aprovou nas Congregações das Unidades às pressas a partir dos argumentos de pressão política de que quem não está dentro está fora. E, mais comprometedor, alegaram que o curso já estava em fase de implementação antes de passar pelo CEG, que é uma clara manobra para esvaziar este fórum democrático como se tudo estivesse acertado de antemão sem que haja discussão aberta. A realidade é que os novos cursos são amplamente divulgados na última edição do Jornal da UFRJ como certos para o próximo Processo de Seleção.
As aprovações nas Congregações foram condicionadas a um aumento do efetivo docente, bem considerável, 53 em quatro anos e 12 só no primeiro ano, ao qual se entende como imprescindíveis e para garantir a qualidade deverão ser Concursados Plenos com Dedicação Exclusiva, e, também, foram condicionadas ao aumento da Estrutura Física, que está pouco contemplada no projeto que trata por alto de meia-dúzia de Laboratórios de Física Experimentais em Xerém muito aquém da real necessidade do curso. A questão dos Laboratórios de Graduação, que já se encontram sucateados e lotados, deve ser vista como primordial para a Expansão da Universidade onde a falta de planejamento leva à precarização, como no caso da Biologia que dobrou o seu ingresso este ano, e, como conseqüência, apenas metade dos calouros cabe nos laboratórios por vez levando a um revesamento da presença. Entretanto, algumas restrições estabelecidas pela aprovação na Escola Politécnica entram em contradição com o projeto como não ter aulas em Xerém e não ter curso de reforço em Cálculo e Física.

Ao analisar minuciosamente as três Propostas Pedagógicas, a original em pouco difere das duas redações seguintes. Das quatro ênfases da 1ª redação (Física, Biofísica, Química e Materiais) as duas últimas foram suprimidas na 2ª redação para se aprovar de qualquer jeito para o Vestibular do ano passado, e na 3ª redação retornou-se com a ênfase de Materiais e mudou-se o nome da ênfase de Biofísica para Bionanotecnologia. Mas em nada mudou a estrutura do texto, como se as congregações fossem instâncias meramente simbólicas, deixando a impressão de que o projeto é intocável. Fato apoiado pela ausência de documentação de como foi constituída a Comissão de Trabalho que elaborou o projeto, da qual se deve ponderar se é legítima. Em um email em anexado logo após o parecer, o prof. Rodrigo Barbosa Capaz esclareceu que a Comissão surgiu espontaneamente e pediu aval aos Diretores das Unidades. Que é estranho, pois além de não estar documentado no processo, é um desagravo ao Regimento Geral da UFRJ que determina que a proposição de novos cursos é uma atribuição dos Conselhos de Centro e, portanto, só após as deliberações dessas instâncias seriam válidas a construção de um Projeto Pedagógico e a indicação dos professores para escrevê-lo. Ao que consta no processo, a proposta chegou totalmente formulada ao Conselho de Centro do CCMN, e não há qualquer apreciação dos Conselhos do CT e do CCS que são representativos de Unidades envolvidas.

Outra questão obtusa é a “simbiose” com o INMETRO, que embora amplamente citada ao longo do processo, não há sequer um memorando assumindo qualquer responsabilidade por parte daquela instituição. Esta questão gerou uma crise entre o Instituto de Química e o Instituto de Física, que precisa ser conciliada antes da aprovação deste curso caso contrário estará comprometido. O IQ argumenta que há motivações políticas para formação de mão-de-obra para o INMETRO e que os protocolos formais de criação de novos cursos não foram seguidos e que a própria Interdisciplinarida de também é contestável pela carência de Bioquímica I no currículo básico substituída pela disciplina menos pertinente Bioquímica de Macromoléculas. E ainda por considerar que a ênfase de Química teria as mesmas incumbências profissionais do Químico com Atribuição Tecnológica por sobreposição do conteúdo dos currículos com exceção de três disciplinas que podem ser cursadas como eletivas, assim causaria problemas com o Conselho Regional de Química (CRQ), que levou, então, à congregação do IQ a votar pela retirada desta ênfase. Esta posição deve ser respeitada por ter sido a única Unidade que democraticamente discutiu o curso de Nanotecnologia em todos os seus Departamentos.

Logo em seguida, vem a resposta da Comissão de Trabalho – que estranhamente adquiriu caráter de instância e pôde sair anexando documentos ao processo – que se contradiz ao longo de uma carta, que primeiro faz o discurso de que as unidades tinham que sair de seus “compartimentos” e enxergar o lado de fora e, depois, que não enxergaria os Conselhos e demais Entidades de Classe. Claro que os Conselhos e demais Entidades de Classe são instâncias burocratizadas que merecem repúdio por violar a Autonomia Universitária ao estabelecerem que os profissionais, além do diploma, precisam de suas carteiras e pagar lhes tributo. Só que fazer esta crítica apenas para facilitar a aprovação deste curso é puro oportunismo, para fazerem jus à palavra, seria interessante que abrissem um processo contra o Ministério do Trabalho para reverter esta determinação. E admitiram que a sobreposição de currículo das ênfases da Nanotecnologia com os referidos cursos tradicionais foi intencional, contra o qual se cita o grande imbróglio da Química Industrial e da Química com Atribuição Tecnológica que por possuírem a mesma incumbência profissional serão fundidas por determinação do CONSUNI a pedido do CRQ.

Muito além dos egressos não terem uma carteira profissional, não terão uma formação profissional de fato. Tendo apenas 150 créditos de matérias teóricas e práticas (cerca de 25% a menos do que os créditos dos cursos tradicionais) sem disciplinas avançadas, como consta no Projeto Pedagógico. O curso de Nanotecnologia pretensiosamente tem como objetivo acabar com a necessidade de Pós-Graduação (7 anos em 4), mas transpõe a divisão entre latu sensu e strictu sensu para a Graduação. De maneira que seu conteúdo não passa de generalismo com pitadas de nanocuriosidade seguido de treinamento para realizar procedimentos laboratoriais sem pensamento crítico, os chamados Estágios Rotativos.

O Projeto Pedagógico falha gravemente com a Interdisciplinarida de, não há convergência entre a Química, Física e Biologia nas disciplinas – chega ao cúmulo de nem envolver o Instituto de Biologia. As matérias de diferentes Unidades só são oferecidas simultaneamente, mas não há interlocução entre as mesmas levando o curso a se autofragmentar em ênfases. Aliás, do ponto de vista epistemológico, o próprio conceito de Interdisciplinarida de é entendido erroneamente, pois a grande divisão acadêmica é entre Exatas e Humanas e se não suplanta esta divisão. Sendo assim, como todos os cursos de graduação possuem diversas disciplinas de outras Unidades em seu currículo podem ser classificados como Interdisciplinares pelo conceito errôneo de praxe, não havendo a referida carência por cursos desta natureza. A argumentação não se sustenta.

Afinal de contas, o que é a Nanotecnologia? A Nanotecnologia é o emprego da Nanociência para construir soluções fantásticas para problemas reais, sendo muito mais abrangente do que o viés adotado de novos materiais. Esta contradição fica evidente na mudança do nome da ênfase de Biofísica para Bionanotecnologia, que na verdade é muito mais ampla do que próteses e dentaduras, diversas aplicações muito mais inusitadas nesta área já são realidade como as nanovacinas e nano-sondas de DNA. Como toda tecnologia não é em si boa ou ruim, a Nanotecnologia pode ser utilizada tanto para salvar vidas quanto para fazer armas de destruição em massa (que já fazem parte do arsenal da China e EUA). E com toda clareza pode ser dito que a Nanotecnologia não é o Fim da História e que tudo depende de como usá-la para a Emancipação Humana.

Outra debilidade, que merece ser apontada, é em relação à Química, por falta da disciplina de Química Quântica e a já falada Bioquímica I, entre outras, pois a Nanotecnologia não é exclusividade da Física, sendo a própria subversão da Mecânica Clássica e mesmo a Teoria da Relatividade é mais útil para descrever a órbita do planeta Mercúrio. Em relação à ênfase em Materiais, é fraca pela falta da matéria-chave Resistência dos Materiais. O próprio Projeto Pedagógico admite que o egresso será apenas um mero ajudante de um profissional realmente qualificado nas áreas tradicionais, aonde se desmascara o falso caráter inovador do curso que não criará um profissional completo para tratar das questões de ponta. Por um lado estão as atribuições de engenheiro como a solução de problemas, por outro lado estão as atribuições de cientista como a teorização, e dado à falta de especificidades de Nanotecnologia e Nanociência no currículo, será incapaz de realizar qualquer uma das atribuições com a firmeza necessária.

Quanto ao mercado de trabalho para o egresso, estará restrito ao setor público, pois o setor privado não realiza pesquisa de ponta no Brasil. Por tanto, é até válido que se vá trabalhar no INMETRO, porém devem se consultar outros setores e empresas estatais sobre a possibilidade da abertura de concursos. Deve-se considerar ainda que para o pleno desenvolvimento do setor, é necessária a construção de uma grande empresa estatal, uma Nanobrás.

Ademais, fica a crítica de que é incompatível vincular o Projeto Pedagógico do curso ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) cujo mérito não vem ao caso, mas no qual não foi aprovada a participação da UFRJ pelo CONSUNI, bem como, a Nanotecnologia não está constituída enquanto setor econômico, portanto não sendo passível a aceleração do seu crescimento.

Diante das questões relatadas, este parecer indica a necessidade de uma reformulação do Projeto Pedagógico com contribuição democrática de todos os Departamentos de todas as Unidades envolvidas para a construção de novas disciplinas repensando todos os currículos da área de Exatas a partir da Integração com a Nanociência, bem como, a indicação de uma Comissão de Trabalho legítima pelos Conselhos de Centro junto com a criação de um Núcleo de Estudos pelo CEG em concomitância com a já existente Câmara de Nanotecnologia da PR2.


Assinam: Daniel (Titular), Mariano (Titular), Marcos (Titular) e Leomir (Suplente)

Assembléia dos Estudantes do IEFD-UERJ

Nesta segunda-feira, entregamos ao CAEFALF (IEFD/UERJ) um abaixo-assinado com mais de 5% de assinantes (exigido em estatuto), totalizando 24 assinaturas, solicitando uma Assembléia Geral, às 12h30, para discutir os rumos das eleições 2009.
A entrega se realizou após as 12h30, inviabilizando sua realização neste horário. Porém, cabia ao mesmo (CA), “proceder imediatamente” à solicitação, convocando o mais rápido possível a Assembléia.
A resposta do mesmo foi que eles esperariam uma reunião do CA para discutir um horário e datas cabíveis, passando por cima do próprio estatuto!
Assim, a comissão eleitoral se adiantou e marcou a Assembléia para DIA 8 DE JULHO (QUARTA) ÀS 12H, numa sala antes do blindex do IEFD....

ASSIM, CONVIDAMOS TODOS E TODAS MAIS UMA VEZ PARA PARTICIPAR DESTA ASSEMBLÉIA... VOCÊ, SUA OPINIÃO E PARTICIPAÇÃO NESTE PROCESSO SÃO ESSENCIAIS!

domingo, 5 de julho de 2009

Reunião e Arraiá QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA

Neste sábado, 4 de julho, foi realizada nova reunião do Movimento. Uma qualificada avaliação do Congresso Nacional de Estudantes, junto à discussão dos rumos do Movimento Estudantil brasileiro; a avaliação de nossa participação no processo eleitoral do DCE Mario Prata; os repasses sobre a burocratização de entidades como o Diretório Acadêmico Sandra Cristina Feitosa (Enfermagem-UFRJ) e o Centro Acadêmico de Educação Física Alberto Latorre de Faria (CAEFALF-UERJ); e Finanças foram os pontos contidos na pauta. A reunião contou com a presença de estudantes da UERJ, UniRio, UNESA, UFF e UFRJ.












Consideramos positiva a nossa participação no Congresso Nacional de Estudantes (11 a 14 de junho na UFRJ): conseguimos construir debates com diversos estudantes, apresentamos nossa tese na Mesa e também em espaços alternativos durante o evento, acompanhamos as explanações da Professora Vera Salim e do jornalista Carlos Leal (colaboradores do Movimento), fizemos novos contatos a nível nacional etc. Infelizmente, as deliberações do CNE, ao não avançar nos marcos políticos para a construção do novo Movimento Estudantil, não correspondem às reais necessidades da juventude brasileira. A centralidade da identificação da UNE/UBES enquanto aliada do Governo Lula/PT e dos ricos em nosso país e a necessidade de construir o novo rompendo efetivamente com esse velho foram abandonadas e relegadas a segundo plano pela Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL). Portanto, não nos comprometeremos com esse instrumento que nasce com diversas debilidades, podendo participar de seus fóruns de acordo com as demandas de luta da juventude em nosso país.















Em relação ao processo eleitoral de 2007, passamos de 637 votos para 1436, do terceiro para o segundo lugar. Conquistamos seis cadeiras na coordenação do DCE Mario Prata (em 2007, foram duas) e participaremos do CONSUNI e do CEG com representação. O principal foi nosso crescimento em diversos cursos da UFRJ e a abertura de diálogo com novos estudantes, além de ser a única chapa que apresentou a defesa de ruptura com a UNE e construção do novo Movimento Estudantil.












A atual gestão do DASCF (Enfermagem UFRJ) utilizou de práticas autoritárias para garantir a sua continuidade à frente da entidade. Com um calendário e comissão eleitorais que burocratizaram o processo, ficou inviabilizado um bom debate entre os estudantes do curso para escolher entre as chapas concorrentes. Optamos por nos retirar do processo eleitoral e seguiremos construindo o novo Movimento Estudantil na Escola de Enfermagem Ana Néri.






Já no Instituto de Educação Física e Desportos da UERJ, a situação é bem semelhante. A atual gestão do CAEFALF teve seu mandato terminado no penúltimo semestre e posterga o processo eleitoral para se manter à frente da entidade. Realiza reuniões a portas fechadas e tem vínculo com a Direção da Unidade, não representando as lutas dos estudantes do curso. Estamos inscritos com a chapa 4 - QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA para defender uma nova concepção de Movimento Estudantil e a retomada do CAEFALF para as lutas.














Depois da reunião, o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa realizou o seu ARRAIÁ, que contou com a animação da galera e muita comida típica. Com o forró tomando conta da trilha sonora da festa, foram arrecadados fundos para organizar as atividades no próximo semestre. Foram realizadas cinco rodadas de bingo, com diversos prêmios e a arrecadação foi dividida entre o Movimento e o Abrigo de Animais gerenciado pela Professora Marilene Dutra. Aproveitamos a oportunidade para realizar o sorteio das rifas que foram vendidas ao longo do primeiro semestre. Os prêmios foram repassados para os vencedores: uma Agenda Poética 2009 e um livro "Por uma Política de Classe".



Vivian lê os recados do Correio do Amor.


Comidas típicas, forró e bingo foram os destaques do Arraiá.




Gabriel e Vivian sorteiam os números do Bingo!




UFRJ, UERJ, UFF, UniRio e UNESA presentes!

Participação no Congresso Nacional de Estudantes

Cerca de 2.000 estudantes estiveram presentes na UFRJ, entre os dias 11 e 14 de junho, sendo mais de 1.300 delegados eleitos em escolas e universidades públicas e privadas de mais de 20 estados de nosso país. Os números demonstram que há um processo vigente de reorganização da juventude em nosso país.



2.000 estudantes presentes.




O Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa apresentou a tese "Para enfrentar a crise, organizar a juventude e consolidar o novo Movimento Estudantil", demonstrando a centralidade da ruptura com a União Nacional dos Estudantes, ponto de partida para a criação e fortalecimento de um novo instrumento. Todavia, foi vencedora a proposta recuada e fluida da Assembléia Nacional dos Estudantes Livre - ANEL.



Sorteio das teses; fomos a quarta, apresentada pelo estudante Gabriel Marques.



Dezenas de estudantes do Movimento participaram dos grupos de discussão e realizaram reuniões ao longo do evento para se organizar frente à burocratização estabelecida pelo setor hegemônico, o PSTU. Portanto, um balanço crítico do Congresso Nacional dos Estudantes é feito e demonstram-se os limites e as debilidades da ANEL.



"A ANEL não responde às necessidades do processo de reorganização das lutas dos estudantes brasileiros. Tal como a CONLUTE e a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, a ANEL possui uma forma que possibilita a barganha política entre os setores hegemônicos da esquerda - PSTU e PSOL. O Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa tomará uma postura autônoma frente à ANEL, não a reivindicando, mas deixando a possibilidade de participarmos de seus fóruns caso seja importante para as lutas existentes no país. Permaneceremos empunhando a defesa da ruptura com a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - que apóiam o Governo Lula/PT na implantação de suas políticas que favorecem os dominantes -, como marcos políticos para a criação de uma nova entidade, baseada numa organização autônoma e independente perante Direções, Reitorias e Governos, e em aliança com o proletariado", afirmou Luiz Carlos "Monstro", do Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ.



Luiz Carlos "Monstro" intervém no Painel sobre Universidade.

O jornalista Carlos Leal foi um dos palestrantes.





Vivian Dutra, do CA de Educação Física e Dança da UFRJ, apresenta posições durante o Painel.



Reunião após a decisão de criação da ANEL: avaliação e perspectivas.


Ao longo do Congresso, várias reuniões foram realizadas em frente à sala do CAEFD.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

De trajetos escolares a tabuadas*

*Gabriel Rodrigues Daumas Marques


O segundo semestre de dois mil e nove trouxe lágrimas e luto em seu primeiro dia. Vermelha ou laranja, a linha se dividiu: de um lado, mochilas, merendeiras, cadernos, materiais escolares; do outro, um carro capotado, com crianças e jovens mortos ou feridos. Mesmo com os olhos fechados para não acreditar na trágica cena, catracas, roletas, retrovisores surgem nas imagens e mais uma jovem tem sua vida perdida, sob as rodas de um ônibus.


O supersensacionalismo midiático e a culpabilização de indivíduos nos impedem de um olhar crítico e uma análise criteriosa dessas circunstâncias. Buscando transcender esse quadro, algumas questões valem ser problematizadas. A lógica de funcionamento da sociedade se estabelece por meio de exploração do trabalho alheio e também não permite à totalidade da humanidade o acesso aos bens sociais produzidos.


Enquanto é imposta a escassez de uma Educação Pública, Gratuita e de Qualidade, pais e familiares redobram seus esforços para garantir seus filhos e filhas em instituições de qualidade, mesmo a quilômetros de distância de seus lares. Esses mesmos pais precisam trabalhar durante longas jornadas por dia e não têm tempo para levar e buscá-los na escola. Podem encaminhá-los para o transporte público ou contratar serviços privados de transporte escolar.


Na primeira opção, talvez uma condução não baste, o tempo de espera se prolongue e o receio de exposição à violência urbana se torne cada vez mais evidente e necessário. Ademais, motoristas são cada vez mais superexplorados: não bastassem exaustivas e estressantes horas no caótico trânsito carioca, precisam atualmente dirigir e contabilizar pagamentos e trocos enquanto seus patrões aumentam sua lucratividade ao pagar apenas um salário para duas distintas ocupações.


Na segunda opção, precisam confiar no que há de mais próximo. Mais atacada pela mídia por conta da ilegalidade do transporte clandestino, o esvaziamento das manchetes é proposital e não nos leva para além do que enxergamos. Pode ser um desses motoristas algum trocador demitido por conta da paulatina extinção desse emprego e que optou (será que realmente podemos optar?) por buscar uma forma de sobrevivência? Quanto custa a legalização? Quem são os grupos do setor de transporte envolvidos nas licenças para liberar tal funcionamento? Esses mesmos pais que trabalham diariamente para sustentar suas famílias teriam condições de pagar ainda mais caro por um transporte legalizado? Os impostos, taxas e tarifas são direcionados para manutenção, sinalização ou melhorias de nossas ruas e estradas cada vez mais esburacadas e privatizadas?


Na Barra ou na Linha Vermelha, tragédias não surgem do nada, mas são impulsionadas pelas péssimas condições materiais de vida em nossa sociedade, onde seres humanos são explorados, coisificados e se transformam em estatísticas ou campanhas que jamais se aproximam da complexidade de nossos problemas reais.


O investimento em Educação propiciaria colégios com infra-estrutura, materiais didáticos e profissionais da Educação valorizados em cada município, em cada bairro, possibilitando que crianças e jovens se deslocassem caminhando ou pedalando. A estatização dos transportes coletivos acabaria com a farra de mafiosos empresários, melhoraria o planejamento urbano e diminuiria o próprio (insano) trânsito. Mas tais propostas sempre ficarão no futuro do pretérito enquanto o sustentáculo concentrador de riquezas permanecer vigorando.


Deixo aqui algumas reflexões in memorian de Luana da Silva Macedo, Rayanne da Silva Souza, Esther Reis Fernandes da Rocha, André Lucas Couto Telles e Vinícius Lopes da Silva. Esses quatro últimos tiveram abruptamente retirada a oportunidade de cantar sua última Tabuada! Com o coração e os olhos lacrimejando, envio os votos de solidariedade e força a amigos e familiares dessas jovens vítimas a quem devemos singelas homenagens.


Entristecido, as próximas contas e o orgulho de ex-aluno do Colégio Pedro II permanecerão abalados durante bastante tempo, mas continua acesa a chama e viva a luta, para que cada criança possa se referenciar numa Tabuada, contemplando-a com entusiasmo pelo pertencimento à escola, onde seus conhecimentos possam ser construídos com qualidade e destinados à humanidade. Pedro II, tudo ou nada? Alunos e ex-alunos optam por Tudo. E nós, que opção construiremos para o futuro da sociedade?


*Professor de Educação Física da rede estadual de ensino, Mestrando em Educação (UFRJ) e militante do Coletivo Marxista